Intuição. Buscando por uma forma esecial de perceção
Desacelere.
Esqueça os problemas por um segundo.
Inspire profundamente.
Deixe o olhar se perder no horizonte.
Abstraia.
Permita que seus pensamentos naveguem sem freios.
Abra sua mente para os insights.
Sabe quando aquele problema não sai de sua cabeça e, quanto mais você pensa nele, menos consegue enxergar uma saída?
Nesses momentos, já tentou cantar uma música ou assistir a um filme conhecido só para desviar seu foco mental?
E reparou que, de repente, quando você está completamente distraído, a solução se apresenta assim, sem mais nem menos?
Pois é, isso não é mágica: chama-se insight.
Para a psicologia, insights são eventos psíquicos que correspondem a compreensões, inspirações súbitas sobre qualquer assunto. “São importantes para nos fazer lembrar de que nem tudo depende do pensamento racional, objetivo.
As soluções surgem de uma organização mais ampla da psique, que inclui o inconsciente e não pode ser controlado ou manipulado
As religiões ocidentais e orientais também reconhecem o insight, porém, de formas distintas. De modo geral, um insight de conteúdo religioso se apresenta como uma revelação ou inspiração divina. No caso do budismo, está relacionado a um estado de consciência em que o indivíduo percebe com clareza sua fusão com o Universo.
“O insight é a manifestação de nossa ‘primeira mente’, que não é conceitual. O que vem em seguida é a mente conceitual, que analisa o lampejo da primeira e o conceitua
O insight requer uma atitude adequada do consciente em relação ao inconsciente, ou seja, valorizar sonhos, imagens, devaneios – a linguagem simbólica e poética de nosso dia-a-dia.
Em vez de subjugar a mente aos rigores do raciocínio lógico, é preciso parar, relaxar, respirar, tornar a abstração um hábito, enfim, deixar “a água do rio” correr naturalmente.
AS RÉDEAS QUE APRISIONAM
Pessoas controladoras têm dificuldade em deixar os pensamentos livres e, portanto, provocar insights. “Quem tem necessidade de controlar tudo e todos tenta, na verdade, se manter afastado da frustração
A idéia é mais ou menos assim: se tenho tudo sob controle, a possibilidade de algo sair errado ou fora do que espero, desejo e idealizo é mínima. Assim, não me frustro e, por conseqüência, não sofro.
Além de ser impossível controlar tudo, a preocupação em não falhar nos impede de arriscar, de inovar. Nada flui e acabamos limitando nossa atenção àquilo que queremos controlar. E, quanto mais aprisionada a mente, menos espaço sobra para o insight.
Buscar novos caminhos, relaxar, descontrair e, principalmente, ter muito claro que a maioria dos acontecimentos independe completamente de nossa vontade são boas dicas para evitar que o controle nos controle.
“Não é a realidade que tem que se adaptar a nós. Nós é que temos de nos adaptar a ela”, lembra o psicólogo. Afinal, o mundo que está aí já existia antes de nós e continuará existindo depois que o deixarmos".
COADJUVANTE DE DESCOBERTAS
Alexandre de Lemos Pereira, 40 anos, é engenheiro mecânico, Ph.D. em energia eólica pela Dinamarca e pesquisador pós-doutorando na USP. Ele coordena alguns projetos na área de modelagem e previsão do vento para a geração de energia e precisa pensar muito para provar, testar e explicar seus estudos. Será que alguém tão racional costuma ter insights?
O engenheiro garante que tem sempre. “Comparo com a experiência de alguém que está aprendendo um novo idioma. No começo, tudo é indecifrável, escuta-se, mas não se entende.
Porém, ao persistir no estudo da língua e ouvindo muito, repentinamente tudo passa a ter sentido, a compreensão acontece. Assim surgem os insights durante minhas pesquisas”, afirma.
Persistentes e superconcentrados, pesquisadores costumam ter jornadas de trabalho exaustivas. O ideal seria intercalar essa rotina com momentos de descanso, mas como parar com a cabeça fervendo para resolver a questão, pipocando de idéias para testar? “Recorro à música. Fico horas sozinho, ouvindo meus CDs ou procurando algo especial no meio deles. Sem me dar conta, me pego pensando no problema complicado e, muitas vezes, vislumbro uma solução”, completa o cientista.
O esporte também provocava nele o mesmo efeito. Quando corria, pedalava ou nadava – sempre sozinho –, o foco nos movimentos, na respiração, no trajeto conduzia instintivamente sua mente para as pesquisas.
“Novamente a sensação é perceber que estamos raciocinando sobre um problema difícil de forma diferenciada, mais livre, para o qual as respostas se apresentam mais claras”, avalia Alexandre, que acredita que os insights são a peça-chave para o entendimento completo de uma situação e para inúmeras descobertas científicas.
INSIGHTS GENIAIS DA HISTÓRIA
• No verão de 1948, George de Mestral (1907-1990), inventor suíço, passeava pelo campo com seu cão. Quando retornaram, estavam cobertos de carrapicho, uma semente de arbusto que se prende no pêlo de animais e na roupa. Curioso, examinou no microscópio as sementes e percebeu que pequenos ganchos se entrelaçavam com laços no tecido.
Com base na observação, desenvolveu um prendedor formado de duas partes: uma superfície com pequenos ganchos rígidos, como o carrapicho, e outra com pequenos laços flexíveis, como o tecido de sua calça. Nascia o velcro.
• No fim do século 19, as irmãs Stéphanie e Caroline Tatin mantinham um hotel, bem em frente à estação de trem, na pequena cidade de Lamotte- Beuvron, na França. Seus hóspedes eram refinados caçadores. Num dia de casa cheia, Stéphanie, distraída, colocou maçãs, açúcar e manteiga para assar. Ao retirar do forno percebeu que havia esquecido a massa. Em um rompante, a jovem teve a idéia de colocar a massa por cima das maçãs e deixou que o doce assasse mais um pouco. E assim foi criada a mais famosa torta da França: a tarte tatin.
• Eli Whitney (1765-1825) revolucionou a indústria têxtil ao inventar a descaroçadora de algodão. A máquina automatiza a separação da semente e da fibra, que antes era feita manualmente. Whitney teve o insight para sua máquina vendo um gato retirar penas de dentro de uma gaiola.
PERCEPÇÕES TRANSFORMADORAS
O Sentido da vida
“Num trecho do livro A Menina Que Roubava Livros, de Markus Zusak, um personagem judeu, que tenta sobreviver em plena Segunda Guerra Mundial escondido no porão da casa de um alemão, resolve começar a escrever um livro. Ele está preso ali, mas aproveita o tempo para se dedicar a uma atividade de que realmente gosta. Na mesma hora, me bateu uma angústia enorme e pensei que eu, apesar de toda a liberdade e de ir e vir, não estava fazendo o que realmente queria. Então decidi mudar de emprego e ir atrás do meu sonho.”
Beatriz Falco, 27 anos, é jornalista e já está com seu CD demo embaixo do braço à procura de uma rádio disposta a divulgá-lo.
O equilíbrio sutil das palavras
O estopim das idéias
“Todo mundo fala sobre a vida estressante dos executivos, então, é bem capaz que você saiba como era minha rotina. Durante muitos anos, trabalhei em uma multinacional alemã, mas em 2000 achei que era a hora de mudar de vida. Saí do emprego e resolvi abrir meu próprio negócio, mas não sabia o que fazer.
Na época, havia um comercial engraçado de um cara apaixonado por seu carro. Ao chegar à praia, ele acha que o local perfeito para estacionar é debaixo de um coqueiro, mas um coco cai bem no capô. Meu filho ria muito com esse anúncio.
Um dia, assistindo junto com ele, descobri o que faria: desenvolvi um carrinho para venda de água-de-coco com refrigeração elétrica. É esse o principal produto de minha empresa.”
Sigmar Kamada, 47 anos, é engenheiro eletricista e sabe dar ouvido a sua intuição.
A percepção da mudança
“A certa altura da vida, resolvi fazer terapia. Queria me conhecer melhor. Contatei um psicólogo indicado por um amigo e iniciei o processo. Depois de três anos, não percebia mudanças em mim. Então, decidi encerrar o tratamento.
Apesar de respeitar minha decisão, meu terapeuta sugeriu que eu amadurecesse um pouco mais a idéia da desistência. Foi o que fiz. Um dia estava assinando um cheque para ele quando tive um toque: notei que havia mudado a minha assinatura.
Olhei para o terapeuta e disse: ‘Mudei minha assinatura. Acho que estou mudando’. Nos três meses seguintes, percebi toda a minha evolução em três anos de terapia e em seguida tive alta.”
Maria Helena Martins Fortunati, 35 anos, é professora e mantém a mes ma assinatura que antecipou a sua alta na terapia.
ALIMENTOS DA INTUIÇÃO
• Cultive o bom humor e momentos de ócio criativo, de relaxamento e diversão.
• Caminhe na praia e sinta a maresia no rosto. Não pense, contemple.
• Feche os olhos por alguns instantes e ouça o canto dos passarinhos.
• Deixe seus pensamentos se perderem ao mexer na terra, cuidar das plantas e observar os animais.
• Rituais, orações e meditações nos conectam com nosso interior e ajudam a conquistar o silêncio necessário para “ouvir” os insights.
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domingo, 10 de outubro de 2010
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