segunda-feira, 22 de março de 2010

Estudo de longevidade

Elisabete Fernandes Almeida é escritora e editora médica, com especialização pela Universidade de Harvard, EUA, em projetos de Educação Médica Continuada, tanto para médicos como para a população em geral.


A sua formação médica inclui Saúde Física, Saúde Mental e Nutrição. Além disso, Elisabete trabalha com renomados profissionais da área de Nutrição, Medicina Esportiva, Fisioterapia e Psicologia, que lhe dão assessoria na parte editorial.
Elisabete é presidente da Latin-Med Editora Médica, editora médica da Conexão Médica, diretora do departamento de Educação Médica para Leigos da Associação Paulista de Medicina e atua em vários sites médicos, como e-Medicine, Lincx e Harvard Medical Review.


De acordo com o The New England Centenarian Study, realizado pela Harvard Medical School, das 50.000 pessoas que celebraram 100 anos de vida nos Estados Unidos, apenas 10% são homens. Eles podem ser mais fortes e magros, mas em termos de longevidade, os homens vivem cerca de seis anos a menos do que as mulheres.


No futuro haverá um maior número de centenários e, com as medidas adequadas, os homens podem ser melhor representados nesse grupo. É óbvio que uma dieta saudável e a prática de exercícios ajudam os homens a manter a saúde e viver mais, mas aqui vão algumas sugestões que podem ser tão interessantes quanto fibras e malhação.

* Olhe o lado bom das coisas – Os otimistas vivem mais de acordo com um estudo da Mayo Clinic. Entre os 839 entrevistados, os mais felizes mostraram um risco de morte 19% menor do que os outros. O índice de sobrevida dos pessimistas esteve bem abaixo da expectativa para a faixa etária. Ter uma atitude positiva não contribui apenas para prolongar a vida, mas também para manter o indivíduo ativo e independente.

Um trabalho publicado no Journal of American Geriatrics Society, escrito por investigadores da University of Texas, afirma que os pacientes otimistas têm metade da probabilidade de apresentar dificuldades em realizar atividades diárias dois anos mais tarde. Pesquisas anteriores mostram que a felicidade e o otimismo aumentam o número e a função das células imunológicas do organismo. Isso melhora a capacidade de prevenção e aumenta a capacidade de combater doenças.


* Não se preocupe com os pequenos problemas – No The New England Centenarian Study, um achado comum entre os 46 pacientes com mais de 100 anos foi a habilidade de administrar o estresse. Eles deixam as coisas acontecerem. Nós também podemos aprender como fazer isso.

Há várias maneiras de lidar com o estresse, como a prática de exercícios, meditação ou a realização de atividades que trazem prazer.

* Pratique mais sexo – É isso mesmo. Um estudo realizado durante 10 anos e publicado no British Medical Journal aponta que homens que praticam sexo menos do que uma vez por mês têm uma taxa de mortalidade duas vezes maior do que aqueles que mantêm mais de duas relações sexuais por semana. Não consegue marcar um encontro? Não se preocupe. O que conta é o número de orgasmos, e para isso, não é necessário quebrar as pernas da cama. De acordo com o trabalho de Davey Smith, professor da University of Bristol, na Inglaterra, a morte por doença coronariana mostrou associação com a freqüência de orgasmos. Um estudo anterior sobre o envelhecimento, realizado pela Duke University, também mostrou que a atividade sexual reduz o risco de morte entre os homens. São boas notícias para todos, mas lembre-se de praticar sexo seguro. Acredite ou não, até mesmo indivíduos de 70 anos de idade podem contrair doenças sexualmente transmissíveis.

* Saia mais – Os médicos da Harvard University encontraram evidências de que as atividades sociais melhoram a qualidade e a quantidade de vida, de acordo com um trabalho publicado no British Medical Journal. Um número cada vez maior de estudos mostra que as relações sociais favorecem a saúde dos indivíduos. Nós somos programados para sermos animais sociais.

Dados do National Health Institute demonstram a influência da vida social sobre a longevida, mostrando que quanto maior a atividade social da pessoa, menor a probabilidade de tabagismo e maior a chance de ter uma alimentação adequada, praticar exercícios regularmente e procurar o médico para consultas de rotina. O estudo também sugere que os contatos sociais podem ser uma fonte de suporte e oportunidades para conversar sobre comportamentos saudáveis, conseguir apoio e estímulo.

* Valorize o casamento – Estar casado pode proporcionar anos adicionais de vida. Homens casados têm menor índice de mortalidade do que os solteiros, de acordo com um estudo conduzido durante 22 anos pelo RAND Center for Aging.

As vantagens incluem um melhor cuidado com a saúde durante as doenças, melhor alimentação e um ambiente domiciliar que contribui para a redução do estresse, incentivando comportamentos saudáveis e eliminando maus hábitos, como o fumo e a ingestão excessiva de álcool.

Parece que os homens casados dependem mais das mulheres do que apenas na hora da refeição. Os homens tendem a concentrar toda a sua vida social em suas mulheres. Por esse motivo, casam novamente ou morrem após ficarem viúvos.
A saúde dos divorciados também é prejudicada.

Aos 50 anos, espera-se que homens divorciados tenham uma deterioração da saúde muito mais rápida do que aqueles que são casados. Mas ainda há uma esperança. Segundo esse mesmo estudo, um novo casamento traz benefícios diretos para homens nessa faixa etária, e a sua saúde pode voltar a ser igual a de quando era casado.

* Use fio dental – Você não se livrará apenas daquele pedaço de comida no dente, mas também estará protegendo o seu coração. Pesquisadores americanos descobriram que pessoas com doenças periodontais têm quase duas vezes mais chance de sofrer de doenças coronarianas do que aquelas sem essas condições.

Estudos mostram que doenças da gengiva podem estimular o desenvolvimento de obstrução arterial e coágulos sangüíneos com a entrada de bactérias orais para a circulação sangüínea. Além disso, sabe-se que podem exacerbar doenças cardíacas existentes.
Os sintomas dessas doenças da gengiva incluem o sangramento gengival durante a escovação, gengivas avermelhadas, inchadas ou dolorosas, afastamento entre as gengivas e os dentes, mau hálito persistente, presença de pus entre os dentes e a gengiva, perda ou separação dos dentes e uma mudança na forma como seus dentes se ajustam quando você morde.

* Doe sangue – Ao mesmo tempo em que ajuda alguém, você pode estar salvando a própria vida. Para os homens, ajudar a aumentar o estoque dos bancos de sangue também pode ser uma boa forma de se livrar do excesso de ferro, que talvez esteja relacionado a doenças cardíacas. As pessoas acham que o ferro é bom, mas na verdade ele é um antioxidante. Em excesso, é prejudicial.

Estudos realizados na University of Kuopio, na Finlândia, na University of Minnesota Medical School e no University of Kansas Medical Center mostram que a doação regular de sangue pode reduzir o risco de doenças cardíacas em homens. Os pesquisadores atribuem esse fato à redução na quantidade de ferro armazenado no organismo.

Tendo em vista que os íons de ferro são essenciais à formação dos radicais de oxigênio, uma menor quantidade de ferro poderia levar à redução da velocidade do envelhecimento, doenças cardiovasculares e outras condições relacionadas à idade, nas quais os radicais do oxigênio desempenham um papel importante, de acordo com Dr. Thomas T. Perls, diretor do New England Centenarian Study.

Isso poderia explicar porque mulheres na pré-menopausa têm menor incidência de arteriosclerose (endurecimento das artérias) e sofrem apenas metade dos ataques cardíacos e mortes por doenças cardíacas que acometem os homens da mesma idade.

* Faça palavras cruzadas – Da mesma forma que o corpo, o cérebro precisa se exercitar. A longevidade está diretamente correlacionada com o grau de escolaridade e o envolvimento com atividades intelectuais da pessoa, segundo estudos sobre envelhecimento realizados pela Duke University.

O ponto principal é continuar aprendendo. Toda vez que você aprende coisas novas, fortalece e cria novas conexões entre as células do cérebro. Posteriormente, se você perder algumas células, o funcionamento global não será afetado. O estudo compara esse fenômeno com uma cidade que tem acesso apenas por uma estrada. Se alguma coisa acontecer a essa estrada, pode ocorrer um grande desastre. Mas se houver 10 estradas, a cidade pode continuar funcionando.

* Pense com a cabeça, e não com os hormônios – O mesmo hormônio que faz crescer pêlo no seu peito pode levá-lo a colocar a vida em risco. Estudos comprovam que, entre os 15 e 24 anos de idade, quando os níveis de testosterona estão mais elevados, um comportamento irrefreável e violento também é mais comum. Os homens morrem mais do que as mulheres em todas as faixas etárias, mas o índice de mortalidade é três vezes maior nesse grupo. A principal causa de morte em homens entre 14 e 24 anos de idade são os acidentes de trânsito, seguidos de homicídios e suicídios.

Essa correlação entre a adolescência e um comportamento de risco elevado também tem sido demonstrada em estudos com outros primatas, muitos dos quais desaparecem do seu grupo nesse período.

* Vá ao médico– Eu sei, eu sei; se não está quebrado, não conserte. No entanto, em se tratando da sua vida pessoal, vale a pena tomar medidas preventivas. O National Institute on Aging recomenda a realização de exames de rotina regularmente. Dessa forma, você pode descobrir os problemas mais cedo e tratá-los antes que eles ponham a sua vida em risco. Você não pode pensar que, se nada está errado com você, não é necessário procurar o médico ou, se algo está errado, é só porque você está ficando velho. Muitos problemas que são atribuídos apenas ao envelhecimento podem ser tratados.

Não há nenhum remédio ou gene mágico que levará você até o segundo século de vida.
Você tem que agir!
O seu futuro só depende de você!

Nenhum comentário:

Postar um comentário